Neste módulo, você iniciará a organização do seu trabalho de conclusão de curso (TCC), por meio da construção do Projeto de Intervenção. Para isso, deverá recorrer às atividades desenvolvidas nas unidades de aprendizagem 1 e 2. Fique atento aos passos sugeridos para essa construção e recorra ao seu tutor sempre que necessário.
O curso tem como exigência acadêmica a elaboração de um TCC e espera-se que o mesmo seja um projeto que vise a uma ação sobre a realidade, no processo de trabalho e/ou à organização da instituição escolar em que você atua, ou mesmo um projeto que contribua para o planejamento e incorporação de novas tecnologias à comunidade escolar.
Os cursos da ENSP nas modalidades lato sensu definiram diferentes modos de desenvolver e apresentar os TCC. Neste curso, indicamos fortemente que você desenvolva o TCC no formato de Projeto de Intervenção (PI), possibilitando maior sinergia entre o conteúdo teórico e prático, além do ganho institucional com a diversidade de projetos a serem desenvolvidos na comunidade escolar em que você e os demais participantes do curso atuam.
Os espaços de formação em serviço precisam ser pensados como oportunidade da realização das práxis. Dessa forma, nosso curso sugere que você construa um projeto de intervenção tendo como ponto de partida a sua prática na escola. Mais do que refletir sobre o “como fazer”, esperamos que você com o desenvolvimento de seus estudos das unidades de aprendizagem se aproprie de novas ferramentas teórico-práticas que te permitam ter outros olhares, com novas possibilidades de se fazer a gestão de projetos de investimentos de forma eficiente.
Vazquez (1977) já refletia que, se a teoria em si não transforma o mundo, pode contribuir para sua transformação, desde que assimilada por aqueles que vão fazer, com seus atos reais, efetivos, essas transformações.
Os PI normalmente fundamentam-se nos pressupostos metodológicos da pesquisa-ação. Sua base é a ideia de uma relação dialética entre pesquisa e ação, deixando claro que a pesquisa nessa relação deve permitir a transformação da realidade. O maior ganho pedagógico dessa metodologia é a possibilidade de que à medida que os sujeitos pesquisam a sua própria prática, podem produzir novos conhecimentos e, assim, apropriarem-se e ressignificarem suas práticas, de forma crítica à realidade em que atuam. A construção da práxis na lógica de um projeto de intervenção, tem a possibilidade de envolver todos os atores participantes como sujeitos promotores das mudanças.
De acordo com Thiollent (2005, p. 16):
Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
Dois objetivos são atribuídos à pesquisa-ação:
No PI, a elaboração do projeto e seu desenvolvimento são processos simultâneos e você vivenciará isso a partir desse módulo. É bom ter clareza que esse projeto não será feito e depois aplicado, ao contrário, a elaboração inicial dele pode ir sendo modificada à medida que a intervenção, ou a busca pela resolução do problema, for ocorrendo.
Vamos, agora, começar a produção escrita do seu PI. Para iniciar a construção do projeto, você deverá selecionar um assunto entre os diversos que se apresentem como problema ou uma ação que deseja desenvolver em sua escola, e que deve ser pactuado com seus pares que podem estar envolvidos, principalmente com aqueles que têm poder de decisão. Escolha um problema, ou ação, na área de gestão de investimentos na escola onde atua, que possivelmente você já identificou durante seu estudo da Unidade de Aprendizagem 2.
Com o assunto selecionado, o 1º passo será desenvolver a Introdução do trabalho. A introdução é uma escrita sucinta que apresentará o conteúdo do Projeto. Ela deve informar sobre o autor, o objetivo, o local e o problema – ou ação – que será contemplado no projeto:
O problema identificado para ser trabalhado no PI deve ser passível de aplicação local e estar relacionado tanto ao funcionamento das equipes, quanto de situações observadas na comunidade escolar ou na gestão do conhecimento dos sistemas de informação das unidades escolares.
Uma pergunta-chave para a formulação de um problema é: Em que intervir?
Vamos relembrar as etapas para a formulação do problema:
1ª Etapa – Descrever o processo de definição, ou seja, como cheguei na definição do problema;
2ª Etapa – Descritores do problema que darão a dimensão do que deve ser “mudado”;
3ª Etapa – Causas e consequências relacionadas ao problema.
O 2º passo contempla a Justificativa, ou seja, qual a razão que determinou a escolha do tema do projeto, centrada na análise do ambiente e na formulação do problema. Essa etapa é o convencimento da pertinência do projeto. Por que é importante abordar esse problema? Por que convém abordá-lo neste curso? Qual é a relevância científica, social e institucional dessa proposta de intervenção?
Na justificativa, você também deve delimitar o público-alvo, ou seja, desenvolver a descrição das pessoas ou instituições em benefício das quais foi concebido o projeto. Os destinatários podem ser apresentados como beneficiados diretamente (beneficiários diretos) ou de forma indireta (beneficiários indiretos). A definição do público destinatário ou do coletivo a ser beneficiado ocorre no processo de definir o problema, e se confirma quando se dimensiona o problema ao identificar as consequências do mesmo.
Para o 3º passo, você deve elaborar as hipóteses para o problema. Lembre-se que a hipótese é a construção de afirmações provisórias sobre o problema. Ou seja, você buscará elaborar respostas para a pergunta originada a partir do problema levantado.
No projeto de intervenção, é possível formular hipóteses voltando-se para as estratégias adotadas diante dos resultados esperados.
Por exemplo, se a proposta de intervenção considerar que:
Se for essa a hipótese implícita, então o projeto irá se alinhar nessa direção, tomando como um dos objetivos:
Somente a implantação da ação do projeto e sua posterior avaliação permitiriam confirmar ou refutar a hipótese adotada.
O 4º passo é a base teórica que caracteriza o trabalho do ponto de vista acadêmico propriamente dito, normalmente chamado de referencial teórico. Deve explicar tanto a definição do problema, quanto a proposta de intervenção.
É de suma importância sua atenção e dedicação na construção do referencial teórico pois ele destaca a relação que você estabeleceu entre a teoria e o problema identificado. Tente responder às questões simples, tais como: o que sabemos até hoje sobre o problema? Quem os estudou? Existem outras experiências de intervenção semelhantes? Quais foram as metodologias utilizadas por tais experiências?
Você pode utilizar na construção do referencial teórico:
Nosso 5º passo será descrever o que o projeto deve fazer, produzir ou atingir. Para isso, devemos delimitar os objetivos do projeto. Os objetivos estão diretamente relacionados aos “nós críticos”, que foram identificados ao longo da formulação do problema.
O PI deve ter um único objetivo geral (mais amplo), que seja a imagem invertida do problema identificado, e alvo de maior abrangência do que se pretende atingir. Deve, também, ter quantos objetivos específicos (são as partes do geral) forem necessários para detalhar o objetivo geral, indicando exatamente o que será realizado no projeto.
Cada proposta de intervenção deve ser transformada em objetivo, isto é, o objetivo é “desatar o nó”. É importante identificar de forma clara e realista o que se quer atingir. Ou seja, deve-se definir como alvo aquilo que é viável no contexto atual. Os objetivos sempre são formulados com o verbo no infinitivo, pois implicam ações. Para cada objetivo específico, será definida posteriormente uma meta. Observe se os objetivos específicos estão em número suficiente para abrangência do tema, bem como se são possíveis de serem alcançados.
Deve-se sempre ter cuidado para não confundir o objetivo com o método/estratégia. Por exemplo, “entrevistas com professores sobre as estratégias pedagógicas desenvolvidas em sala de aula com as crianças com déficit de atenção” não é um objetivo de estudo, mas uma estratégia de método para alcançar um determinado propósito.
Neste caso, o objetivo poderia ser “analisar as estratégias pedagógicas desenvolvidas pelos professores em sala de aula com as crianças com déficit de atenção”, ou mesmo “analisar os procedimentos adotados pelos professores para acompanhamento das crianças com déficit de atenção”.
Da mesma maneira que “realizar seminário de sensibilização de professores para identificação de situações de abuso sexual envolvendo crianças” é uma das muitas estratégias para o objetivo de “fortalecer atitudes favoráveis para a identificação de situações de abuso sexual de crianças”.
Organize e registre os passos de 1 a 5 da elaboração do seu TCC. Para isso, revise se o objeto, ou situação-problema escolhido para ser trabalhado no seu Projeto de Intervenção está bem delimitado, claro, simples e direto. Ele será seu ponto de partida para essa atividade. Retome o Módulo 6, da UA 2, onde iniciou a identificação do problema para o Projeto de Intervenção, para te auxiliar nessa atividade.
Envie sua produção para o(a) tutor(a)-docente.