Neste módulo, vamos começar a nossa conversa sobre metodologia científica.
Para isso, precisamos lançar mão de um método. É aqui que iniciamos o nosso estudo sobre metodologia científica.
Quando vamos iniciar nosso estudo de metodologia científica, sempre esperamos por algo cansativo, burocrático, cheio de regras a serem rigorosamente seguidas. Entretanto, quando de fato entendemos qual a proposta a ser traçada referente à metodologia, podemos achar prazerosa a atitude investigativa que esse processo nos permite vivenciar.
Convidamos você para entrar nesse universo e perceber como pode ser produtivo entender sobre metodologia científica, a fim de alavancar a construção do conhecimento e aprendizado.
Entende-se “metodologia” como o estudo do método para se buscar determinado conhecimento. Demo (2003, p. 19) diz que metodologia “[...] é uma preocupação instrumental. Trata das formas de se fazer ciência. Cuida dos procedimentos, das ferramentas, dos caminhos.”
Vale ressaltar que não existe um único método, mas sim um conjunto que pode atender as necessidades conforme a finalidade do estudo ou pesquisa. Em todo estudo, deve prevalecer o espírito crítico e reflexivo, com a possibilidade de usar múltiplas lentes para ver a mesma realidade e contexto em que está inserido, buscando compreender os fenômenos que o envolve.
Qual a sua definição para o termo “ciência”?
Aprendemos desde os primeiros anos escolares a acreditar que ciência é algo com alto grau de certeza e que pode ser comprovado.
Numa rápida pesquisa no dicionário, encontramos o significado do verbete ciência: "Conhecimento atento e aprofundado de algo." Ou, ainda: "Corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, formulados metódica e racionalmente.” (OXFORD, 2022)
A ciência faz a humanidade evoluir. É graças a ela que você está lendo este texto na tela de um computador. Isso não é incrível?
Para aprofundar esse tema, sugerimos o estudo do texto
O que é ciência? – Notas de aula, de Silvio Seno Chibeni (2006).
Chibeni (2006) elenca alguns pressupostos para o que ele irá nomear como visão comum da ciência. São eles:
Entretanto, precisamos questionar essa visão comum da ciência. Afinal, nossas observações nunca são neutras. Estão de alguma forma imbuídas das ideias e valores que adquirimos e formamos a partir da interação com nossos educadores, com a sociedade, com a nossa família etc. Ou seja, todos nós pertencemos a um contexto mais ou menos politizado, mais ou menos orgânico, mais ou menos crítico. Não tem como sermos totalmente isentos do nosso juízo de valor ao observar uma situação específica no ambiente escolar, por exemplo. Assim também são nossas proposições, elas não contemplam a lógica que percebemos na situação, ou fenômenos, em observação, bem como o conhecimento prévio que temos sobre o assunto, mas também daquilo que intuitivamente definimos como fluxo para tomada de decisão.
É preciso escapar à alternativa da “ciência pura”, totalmente livre de qualquer necessidade social, e da “ciência escrava”, sujeita a todas as demandas político-econômicas. O campo científico é um mundo social, e como tal faz imposições, solicitações etc. que são, no entanto, relativamente independentes das pressões do mundo social global que o envolve (BOURDIEU, 1997, p. 21).
Pierre Bourdieu (1930-2002), sociólogo e pensador francês, autor de uma série de obras que ajudaram a renovar o entendimento da sociologia e da etnologia no século XX. Ele contribuiu para reflexões acerca do papel da escola na sociedade e, em alguns de seus trabalhos, propõe uma maneira diferente para interpretar a função da educação e da instituição escolar. Uma das teses centrais da sociologia da educação de Bourdieu é a de que os alunos não podem competir em condições igualitárias na escola, pois, trazem consigo uma bagagem social e cultural diferenciada. Para o autor, as desigualdades sociais e econômicas não podem ser superadas apenas por meio da educação, logo, garantir o acesso à escola não significa garantir o princípio da igualdade. A partir de tais ideias, pretende-se apresentar as principais contribuições de Bourdieu para a educação, levando em consideração a importância de repensar a capacidade da escola no processo de desenvolvimento da sociedade.
Assim, podemos supor que a ciência também pode ser repleta de subjetivações, bem como da implicância do sujeito com o seu objeto de estudo. Sabe-se que diante dos fenômenos sociais de um estudo, não é possível varrer o contexto histórico e estabelecer leis universais, separando o sujeito do objeto do conhecimento, visto um estar inserido no outro. “Numa ciência onde o observador é a mesma natureza que o objeto, o observador é ele mesmo uma parte de sua observação” (LÉVI-STRAUSS, 1975 apud MINAYO, 2000, p. 21).
Essa é a ideia fundamental para este estudo, pois enfatiza sua relação, na qualidade de aluno, com os processos educacionais aos quais você se vincula como profissional, estando, portanto, no papel também de um pesquisador.
Quando falamos em metodologia científica, a ideia que vem imediatamente em nossa mente é que vamos tratar de algo cansativo, cheio de regras difíceis, ou mesmo incompreensíveis. Um caminho pronto a seguir que nem sempre será prazeroso. Não é isso? Mas para este curso pensamos em algo diferente, e ao longo desta unidade você verá que não precisa ser assim! O método pode ser um conjunto de passos que o ajudarão a trilhar o caminho escolhido.

É como no conto de O Mágico de Oz, em que Dorothy resolve seguir o caminho dos tijolos amarelos em direção ao castelo do mágico que poderia enviá-la de volta para casa. Precisamos saber aonde queremos chegar (objetivo) e como faremos esse trajeto (método). “Para um espírito científico, todo conhecimento é uma resposta a uma questão. Se não houver questão, não pode haver conhecimento científico. Nada é evidente. Nada é dado. Tudo é construído” (BACHELARD apud JAPIASSU, 1999, p. 84).
Dessa forma, entendemos metodologia como o estudo do método para se buscar determinado conhecimento. Mas fique atento! Se trabalhamos com educação de pessoas, e pessoas e processos são complexos, um único método pode não dar conta disso. Assim, nosso método será o resultado da multiplicidade de métodos que buscam atender às necessidades, ou problemas, que aqui no nosso estudo tentaremos resolver a partir de uma proposta de intervenção.
Assim como nossos alunos, só estamos realmente abertos a aprender aquilo que de alguma forma nos faz sentir prazer e relaciona-se com nosso projeto de vida. Às vezes, o fato de querer saber não está diretamente relacionado com a nossa disponibilidade em aprender o que está sendo ensinado. Muitas vezes, precisamos reaprender a estudar.
Até que ponto de fato fazemos das nossas leituras momentos de concentração e aprendizagem?
Esta atividade está dividida em etapas:
1. Leia o texto
A construção do conhecimento e considere as estratégias de pré-leitura, leitura e pós-leitura abordadas.
2. Em seguida, já conhecendo as estratégias apresentadas, leia o artigo Política(s) e Gestão da Educação Básica: revisitando conceitos simples, de Sofia Lerche Vieira, e faça uma síntese desse artigo. Organize as principais ideias discutidas pela autora e faça a sua sistematização com base no que aprendeu sobre o conceito de pós-leitura.
3. Envie sua síntese para o(a) tutor(a)-docente.