
É uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de “desenvolvimento humano” e para separar os países em: desenvolvido (desenvolvimento humano muito alto); em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto); e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo).
O indicador é composto de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e produto interno bruto (PIB) per capita como um indicador do padrão de vida (paridade de poder de compra), coletados em nível nacional. A cada ano, os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais, como estados, cidades, aldeias etc. O índice foi desenvolvido em 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, no seu relatório anual.
Nos últimos anos, houve uma queda da posição do Brasil, quando comparado aos demais países. Em 2010, o Brasil encontrava-se na 73ª posição do IDH. Em 2014, passou para a 75ª posição e, em 2019, para a 84ª. O último relatório, publicado em 2020, mostra os desafios do desenvolvimento humano no antropoceno (nova época geológica caracterizada pelo impacto do homem na Terra) devido à crise ambiental (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO, 2020).
Segundo dados do “Nascer no Brasil”, estudo nacional realizado com cerca de 24 mil mulheres em 2011/2012, o principal motivo para um início tardio do pré-natal foi a dificuldade para o diagnóstico da gravidez (46,6%), seguido por problemas pessoais (30,1%) e barreiras de acesso (23,2%) (VIELLAS et al., 2014).
Além da captação precoce para a assistência pré-natal, é importante que, durante o acompanhamento da gestação, os serviços identifiquem situações de risco decorrentes de antecedentes clínicos e obstétricos, tais como desfechos negativos anteriores e doenças crônicas, e do desenvolvimento de intercorrências na gestação. O manejo adequado das gestações de risco é essencial para reduzir a morbimortalidade materna, infantil e fetal.
A identificação de uma condição de risco materna ou fetal durante o pré-natal, pressupõe o encaminhamento da gestante para avaliação por um especialista que possa orientar a melhor condução clínica para o caso. O encaminhamento de gestantes de risco deve ser realizado pelo sistema de regulação, visando garantir a continuidade do cuidado, por meio da referência e da contrarreferência formais.
A ampliação do acesso ao cuidado pré-natal trouxe novos desafios ao sistema de saúde em relação à capacidade de organizar o fluxo das gestantes entre diferentes serviços, de modo a estabelecer um sistema integrado e contínuo de comunicação e atender ao aumento da demanda por atendimentos e procedimentos com maiores níveis de complexidade.
Com relação aos indicadores relacionados à assistência pré-natal e ao parto, além de inquéritos específicos sobre a assistência pré-natal, o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) contém dados coletados regularmente que permitem o cálculo desses indicadores.
A Rede Cegonha, implantada no país em 2011, preconiza o início da assistência pré-natal até a 12ª semana de gestação, com acompanhamento da mulher durante a gestação, o parto e o puerpério e acompanhamento da criança até o segundo ano de vida.
Maria de Lourdes iniciou o pré-natal apenas no final do quarto mês de gestação, um início considerado tardio, principalmente para uma grávida que já havia apresentado desfechos negativos em gestações anteriores.
Qual seria o papel das Equipes de Saúde da Família, em especial dos agentes comunitários de saúde, na busca ativa de gestantes em seu território de atuação para início precoce da assistência pré-natal?
Como tem se dado a implantação das atividades da Rede Cegonha pelas Equipes de Saúde da Família em seu município?
As demoras no atendimento estão associadas à maior ocorrência de complicações, tanto para a mulher quanto para o bebê. As demoras podem ser classificadas em três tipos.
A primeira demora é a demora em perceber que há necessidade de cuidados médicos, e relaciona-se às características da mulher, tais como nível de escolaridade e acesso a informações sobre complicações na gravidez e sinais de risco.
A segunda demora é a demora para conseguir atendimento num serviço de saúde e está relacionada às barreiras de acesso, que podem ser geográficas, econômicas, culturais e organizacionais.
A terceira demora é a demora em receber o atendimento correto dentro do serviço de saúde, e relaciona-se à disponibilidade de recursos humanos e materiais, existência de diretrizes clínicas e capacitação dos profissionais. Quanto maior o número de demoras, maior o risco de complicações e morte.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre as três demoras, assista ao vídeo Como reduzir as três demoras? um encontro com o especialista Rodolfo de Carvalho Pacagnella, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). (ENCONTRO COM ESPECIALISTA, 2019).
Para aprofundar seus conhecimentos sobre as três demoras, assista ao vídeo Como reduzir as três demoras? um encontro com o especialista Rodolfo de Carvalho Pacagnella, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). (ENCONTRO COM ESPECIALISTA, 2019).
Que demoras você identifica no caso de Maria de Lourdes? E no seu município? Quais são os tipos de demora mais comuns e como elas poderiam ser evitadas?
Todas as causas de morte que ocultam o ciclo gravídico-puerperal no atestado de óbito são conhecidas como causas presumíveis ou “máscaras”. Um exemplo comum refere-se à ocorrência do óbito da mulher em idade fértil internada na UTI, em cuja Declaração de Óbito (DO) não conste o registro em sequência lógica das afecções que levaram diretamente ao óbito. Isso poderia ser evitado se, durante o preenchimento dessa declaração, a equipe que fez o acompanhamento obstétrico fosse consultada. A garantia do acesso a leitos de UTI ainda é um problema em muitos municípios. Para a investigação do óbito, é importante o registro do momento da solicitação da vaga na UTI e a hora em que ela foi efetivamente conseguida.
O artigo 2° da Portaria GM n. 1.119/2008 (BRASIL, 2008) define que os óbitos maternos e os óbitos de mulheres em idade fértil, independentemente da causa declarada, são considerados eventos de investigação obrigatória, com o objetivo de identificar fatores determinantes, suas possíveis causas, assim como subsidiar a adoção de medidas que possam evitar sua reincidência. Assim, todas as DO de mulheres em idade fértil devem ser separadas para investigação.
A definição de morte materna presumível ou mascarada, bem como as etapas para a realização da busca ativa dos óbitos maternos, constam na publicação Guia de Vigilância Epidemiológica do Óbito Materno do Ministério da Saúde (BRASIL, 2009).
O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil evidenciou que, do total de 211,7 milhões de brasileiros(as), 116,8 milhões conviviam com algum grau de insegurança alimentar. Destes, 43,4 milhões não tinham alimentos em quantidade suficiente e 19 milhões de brasileiros(as) enfrentavam a fome (PLATEFORME…, 2022).
Observou-se que a insegurança alimentar grave no domicílio dobra nas áreas rurais do país, especialmente quando não há disponibilidade adequada de água para a produção de alimentos e aos animais. A pesquisa mostra o aumento da fome no Brasil aos níveis observados em 2004 (PLATEFORME…, 2022). Para ter acesso ao estudo completo, acesse Insegurança alimentar e Covid-19 no Brasil.
Macamirim, como muitos municípios, apresenta dificuldades técnicas e financeiras para cumprir suas obrigações. Uma solução que vem sendo desenvolvida para enfrentar esse problema é a criação de regiões de saúde. Ou seja, se um município não é capaz de, sozinho, oferecer todos os tipos e níveis de assistência, as prefeituras das respectivas regiões podem compartilhar os recursos de saúde entre si, como profissionais, equipamentos e hospitais.
Por exemplo: Macamirim, com mais três municípios, pertence à 1ª CIR. A capital é o polo que oferece os serviços ambulatoriais e hospitalares de alta complexidade. Todas as ofertas de leitos de UTIN da 1ªCIR são disponibilizadas e o sistema de regulação compartilha os recursos entre os municípios pertencentes à região de saúde.
Vale lembrar que a regionalização é um recorte organizacional e expressa a construção histórica do Estado brasileiro como federação. Essa construção objetivou o desenvolvimento de ações de controle e ordenamento do território nacional onde as políticas sociais setoriais se desenvolveriam, obedecendo as divisões político-administrativas. Planejar, organizar e executar as ações de saúde regionalmente representam uma prática federativa, tendo as instâncias de consenso e negociação – Comissões Intergestores Tripartite (CIT), Comissões Intergestores Bipartite (CIB) e Comissões Intergestores Regionais (CIR) – como mediadoras para a construção de Redes de Atenção à Saúde regionalizadas.
A doença e a morte, frequentemente, são compreendidas apenas como problemas individuais e muitas vezes consideradas uma fatalidade, produto da sorte ou do azar. Sem dúvida, essa maneira de interpretar a doença e a morte não leva em conta que, muitas vezes, as mesmas situações costumam ocorrer, de modo semelhante, com outras pessoas do mesmo grupo social, bairro e município. Ou seja, a doença e a morte não ocorrem ao acaso, elas também estão relacionadas ao modo e às condições de vida e saúde.
Para verificar o alcance de objetivos e metas em saúde, é necessário o acompanhamento e monitoramento sistemático de dados do conjunto da população de um determinado bairro, distrito, município, o que nos permite analisar se a ocorrência de determinada doença ou óbito aumentou, diminuiu ou vem se mantendo constante, e se a causa das mortes é passível de prevenção e controle.
Assim como a morte de Maria de Lourdes e de Carlos José, todos os óbitos maternos e infantis são eventos de grande impacto para a sociedade. A maioria acontece nos países em desenvolvimento, em decorrência de causas evitáveis, fato inaceitável que representa uma grave violação dos direitos humanos.
A redução da mortalidade materna e infantil no Brasil é ainda um desafio para os serviços de saúde e a sociedade como um todo.
As altas taxas encontradas configuram um grave problema de saúde pública, atingindo desigualmente as regiões brasileiras, com maior incidência entre mulheres e crianças pertencentes a classes sociais com menor ingresso e acesso aos bens sociais.
A Política Nacional de Assistência Social, para promover a proteção social, deve atuar nas situações de vulnerabilidade social nas quais as pessoas vivem um cotidiano que envolve o contexto social e a família. As situações de vulnerabilidade social são desdobradas dos processos sociais que comprometem o acesso à satisfação das necessidades básicas de indivíduos e grupos sociais determinados. A vulnerabilidade social pode ser identificada na privação de recursos monetários ou serviços públicos e na fragilização do acesso a esses recursos, quando relacionada a grupos sociais determinados (gênero, raça, existência de deficiência ou outro).
Outro aspecto importante para alcançar a vulnerabilidade social é o fato de que as pessoas vivem determinadas circunstâncias em territórios específicos. É onde se desdobra o cotidiano de vulnerabilidades, mas também de possibilidades.
As mortes de Maria de Lourdes e seu filho não ocorreram ao acaso, elas estão relacionadas às condições de vida e saúde.
Para conhecer a história de outras mulheres vítimas de morte materna, assista ao filme Evitável, que aborda a história de mulheres vítimas de morte materna, cujas trajetórias interrompidas forçam rearranjos familiares inesperados.
A probabilidade de uma mulher morrer durante a gravidez, o parto ou o puerpério é diferente, dependendo da região do país em que vive. É possível analisar essa diferença a partir dos determinantes sociais de saúde (DSS)? Que dimensões dos DSS podem estar relacionados às diferenças desse indicador?
Para apoiar sua reflexão, recomendamos duas leituras:
Leia o texto 1. A construção do direito à saúde no Brasil e reflita sobre as seguintes questões:
Construa um texto de 300 a 500 palavras com suas reflexões e envie sua atividade.
Com base nos casos de Maria de Lourdes e Carlos José, discuta no fórum os determinantes sociais que podem contribuir para a ocorrência de óbitos maternos, infantis e fetais. Para isso, estude os seguintes textos:
Para auxiliá-lo, consulte os modelos de análise dos determinantes do óbito materno e infantil, apresentados por Jannotti, Silva e Perillo (2013) e por Frias e Navarro (2013).
Participe do fórum e dialogue com a sua turma.
Como foi enfatizado em algumas leituras realizadas até aqui, o conhecimento dos determinantes sociais envolvidos na cadeia de eventos que levam à morte auxilia a detecção das necessidades de saúde, e pode subsidiar intervenções efetivas destinadas à prevenção do óbito materno, infantil e fetal.
A partir da sua compreensão dos determinantes sociais e de estratégias para alcançar o cuidado à saúde integral e oportuno à mulher e à criança, desenhe a linha de cuidado à gestante/puérpera e ao recém-nascido no seu município/região/estado, e aponte os desafios para o seu funcionamento. Caso não tenha uma linha de cuidado estruturada em seu município/região/estado, discuta os desafios para a sua implementação.
Para apoiar sua reflexão, analise a Figura 2 – Linha de cuidado da gestante e do recém-nascido, apresentada na página 78 do texto 2. Vulnerabilidade social e mortalidade materna no mundo e no Brasil.
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