Os erros de medicação foram incluídos no programa de farmacovigilância da Anvisa como área estratégica para a segurança dos pacientes no processo de utilização de medicamentos (COSTA; VALLI; ALVARENGA, 2008). A segurança no uso de medicamentos é um elemento essencial para garantia da qualidade nos serviços de saúde, pois, a tomada inadequada, um monitoramento insuficiente, problemas de comunicação, um erro ou acidente podem causar danos graves, sendo, muitas vezes, responsáveis pela ocorrência de morbidade, hospitalizações, mortalidade e aumento nos custos em saúde. Portanto, os erros de medicação constituem um grande problema de saúde pública (ANGAMO; CHALMERS; CURTAIN, 2016; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2019b; NATIONAL COORDINATING COUNCIL FOR MEDICATION ERROR REPORTING AND PREVENTION, 2019).
Os erros de medicação podem ser classificados da seguinte forma: erros de prescrição, erros de dispensação, erros de administração, dentre outros. É necessário que os profissionais estejam atentos aos tipos de erros de medicação, tendo como principal propósito prevenir e preservar os pacientes de possíveis danos (ANACLETO et al., 2010). Clique nos cards a seguir para conhecer cada tipo de erro:
Múltiplos fatores estão relacionados no que diz respeito à ocorrência de erros de medicação. Os sete principais fatores foram elencados pela OMS para auxiliar na identificação desses erros. Conheça os tais fatores, clicando nos itens a seguir:
Fatores associados ao ambiente de trabalho
Fatores associados aos profissionais de saúde
Fatores associados aos medicamentos
Fatores associados às tarefas
Fatores associados aos sistemas de informação computadorizados
Fatores associados à interação entre as atenções primária e secundária
Fatores associados aos pacientes
No Brasil, alguns casos de erros de medicação associados aos profissionais de saúde e aos medicamentos foram noticiados e se tornaram bastante conhecidos. Veja alguns deles:
Dentre os fatores associados aos medicamentos, uma das causas mais comuns de erros são os nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes. Muitos problemas podem surgir em diversas etapas do processo de utilização de medicamentos, como: no armazenamento, na prescrição, na dispensação, na administração ou em outras etapas da cadeia de consumo.
O Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos do MS sugere a utilização de letra maiúscula e negrito para destacar partes diferentes de nomes semelhantes e, assim, evitar trocas ou dúvidas que possam vir a gerar um erro. A utilização dessa técnica em um ambiente de estoque de medicamentos, por exemplo, deve ser restrita a um número limitado de nomes de medicamentos, mesmo sendo de baixo custo e de fácil aplicabilidade, com o intuito de garantir a sua efetividade (BRASIL, 2013b; INSTITUTO PARA EL USO SEGURO DE LOS MEDICAMENTOS, 2011; INSTITUTO PARA PRÁTICAS SEGURAS NO USO DE MEDICAMENTOS, 2014). Veja exemplos, clicando nos itens a seguir:
A OMS lançou, em 2004, a Aliança Mundial para Segurança do Paciente, considerando esse tema prioridade na agenda política de seus estados-membros. Diante disso, o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) foi instituído em 2013 com o objetivo principal de qualificar o cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do país. Visando a melhoria da segurança do uso de medicamentos, o PNSP estabeleceu medidas com o intuito de prevenir os erros de medicação (Quadro 2) (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2019b).
No ano de 2017, a OMS lançou o 3° Desafio Global para Segurança do Paciente: “Medicação sem dano”, uma iniciativa global com o objetivo de reduzir em 50% os danos relacionados aos erros de medicação em todos os países pelos cinco anos seguintes. As medidas prioritárias dessa iniciativa são direcionadas em três áreas de ação: polifarmácia (pacientes utilizando múltiplos medicamentos para diferentes doenças), situações de alto risco (medicamentos com alto risco de dano se utilizados de forma incorreta) e transições de cuidado (transição dos pacientes entre os níveis de atenção à saúde), conforme ilustrado na Figura 2. O foco dessa iniciativa e estratégia são: os pacientes e a comunidade, profissionais de saúde, medicamentos e sistemas e práticas de medicação (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2019b; ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2021).
Implementar mudanças nas práticas de saúde, por meio de melhorias nos processos de análise, monitoramento e estímulos à notificação, tem sido uma das atividades propostas pela OMS e pelo Ministério da Saúde. Quando um erro ocorre, é necessário conhecer e estudar as causas em detalhes para que as falhas sejam detectadas e, então, corrigidas, a fim de evitar que algum erro, por menor que seja, alcance o paciente (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2019b; ROSA; PERINI, 2003).
De acordo com a definição adotada pelo National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention (2019, tradução nossa), erro de medicação é “qualquer evento evitável que possa causar ou induzir ao uso inadequado de medicamentos ou danos ao paciente enquanto o medicamento está sob os cuidados do profissional de saúde, do paciente ou do consumidor”.
Os erros de medicação podem ser classificados como erros de prescrição, erros de dispensação e erros de administração. Correlacione os exemplos a seguir, de uma rotina de unidade de saúde que atenda pacientes com tuberculose, aos respectivos erros de medicação.
Com relação aos sete principais fatores relacionados aos erros de medicação elencados pela OMS, falta de protocolos e procedimentos padronizados, e experiência e conhecimento inadequados sobre medicamentos estão associados aos seguintes fatores, respectivamente:
Revisar continuamente a padronização de medicamentos é uma das medidas de prevenção de erros de medicação. Além dessa, quais também são medidas importantes para prevenir erros de medicação?
(A) Monitorar o desempenho das estratégias de prevenção de erros por meio de indicadores.
(B) Implantar barreiras que reduzam, dificultem ou eliminem a possibilidade da ocorrência de erros.
(C) Adotar procedimentos de modo que realizar apenas uma conferência dos medicamentos seja suficiente.
(D) Adotar protocolos e padronizar a comunicação sobre os tratamentos.
Qual resposta está correta?