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Formas clínicas da tuberculose, transmissão e principais sintomas

Brasil (2019, p. 29).

Estima-se que 10% das pessoas infectadas pelo M. tuberculosis adoeçam: 5% nos dois primeiros anos que sucedem a infecção e 5% ao longo da vida, caso não recebam o tratamento preventivo preconizado. O risco de adoecimento por TB pode persistir por toda a vida (COMSTOCK; EDWARDS; LIVESAY, 1974). [...]

Brasil (2019, p. 29).

O risco  de adoecimento, isto é, a progressão para a TB ativa após infecção, depende de fatores endógenos, em especial da integridade do sistema imune. Em saúde pública, a importância de um fator de risco reside na sua associação com a ocorrência da doença e na prevalência desse fator na população avaliada (RIEDER; OTHERS, 1999). O maior risco de adoecimento para a TB descrito é a infecção pelo HIV. Dentre outros fatores conhecidos, destacam-se o tempo decorrido da infecção ao desenvolvimento de TB ativa (maior risco de adoecimento nos primeiros dois anos após exposição), a idade menor que dois anos ou maior que 60 anos e a presença de determinadas condições clínicas (doenças e/ou tratamentos imunossupressores).

No Brasil, assim como em outros países que possuem condições de vida semelhantes, alguns grupos populacionais têm maior vulnerabilidade para o adoecimento pela TB. O [Quadro  1] ilustra essas populações e os seus respectivos riscos de adoecimento, em comparação com a população em geral.

Quadro 1 – Risco de adoecimento por tuberculose nas populações vulneráveis
Populações vulneráveis Risco de adoecimento por TB

Pessoas vivendo em situação de rua

56 x maior

Pessoas vivendo com o HIV

21 x maior

Pessoas privadas de liberdade

26 x maior

Indígenas

3 x maior

Fonte: Brasil (2019, p. 29).

A tuberculose pode se manifestar sob diferentes apresentações clínicas, como a tuberculose pulmonar e a tuberculose extrapulmonar. Vamos conhecer as características de cada uma delas.

Fonte: Raquel Portugal. Acervo: Fiocruz Imagens.

Tuberculose pulmonar

A TB na forma pulmonar, mais frequente e relevante para a saúde pública, é a responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença quando bacilífera (BRASIL, 2019).

TRANSMISSÃO
Brasil (2019, p. 28).

O M. tuberculosis é transmitido por via aérea, de uma pessoa com TB pulmonar ou laríngea, que elimina bacilos no ambiente (caso fonte), a outra pessoa, por exalação de aerossóis oriundos da tosse, fala ou espirro.

Figura 5 – Esquemas de transmissão da tuberculose
Fonte:  Tuberculose (MAFRA, 2019).
Brasil (2019, p.28).

O termo “bacilífero” refere-se a pessoas com TB pulmonar ou laríngea que têm baciloscopia positiva no exame de escarro. Esses casos têm maior capacidade de transmissão [Figura 6]; entretanto pessoas com outros exames bacteriológicos como cultura e/ou Teste Rápido Molecular para a Tuberculose (TRM-TB) positivos, também podem transmitir.

Figura 6 – Esquema de liberação de bacilos da tuberculose
Falando: 0 a 200 bacilos liberados
Tossindo: 0 a 3.500 bacilos liberados
Espirrando: 4.500 a 1 milhão de bacilos liberados
Fonte: Caminero Luna (2020).
Brasil (2019, p. 28).

A probabilidade de uma pessoa ser infectada depende de fatores exógenos. Entre eles, pode-se citar a infectividade do caso fonte, a duração do contato e o tipo de ambiente partilhado.

Os pacientes com exame bacteriológico de escarro positivo sustentam a cadeia de transmissão da doença. Estima-se que uma pessoa com baciloscopia positiva infecte de 10 a 15 pessoas em média, em uma comunidade, durante um ano.

Brasil (2019, p. 30).

A reinfecção pode ocorrer se a pessoa tiver uma nova exposição, sendo mais comum em áreas onde a prevalência da doença é alta. A infecção prévia pelo M. tuberculosis não evita o adoecimento, ou seja, o adoecimento não confere imunidade e recidivas podem ocorrer.

Brasil (2019, p. 28).

O risco de transmissão da TB perdura enquanto o paciente eliminar bacilos no escarro. Com o início do tratamento, a transmissão tende a diminuir gradativamente e, em geral, após 15 dias, ela encontra-se muito reduzida.

TIPOS DE TUBERCULOSE PULMONAR

A tuberculose pulmonar é classificada em três tipos. Clique para conhecê-los:

Tuberculose pulmonar primária
Brasil (2019, p. 29).

A TB primária [ou primoinfecção], aquela que ocorre logo após a infecção, é comum em crianças e nos pacientes com condições imunossupressoras. Habitualmente, é uma forma grave, porém com baixo poder de transmissibilidade. Em outras circunstâncias, o sistema imune é capaz de contê-la, pelo menos temporariamente. Os bacilos podem permanecer como latentes (infecção latente pelo M. tuberculosis – ILTB) por muitos anos até que ocorra a reativação, produzindo a chamada TB pós-primária (ou secundária). Em 80% dos casos acomete o pulmão, e é frequente a presença de cavidade.

Figura 7 – Evolução da doença após primoinfecção
Fonte: Mazzetto (2006). 
Tuberculose pulmonar pós-primária ou secundária
Brasil (2019, p. 48).

A TB pulmonar pós-primária ou secundária pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum no adolescente e no adulto jovem. Tem como característica principal a tosse seca ou produtiva. [...]

Nos casos em que a tosse é produtiva, a expectoração pode ser purulenta ou mucoide, com ou sem sangue. [...] O exame físico geralmente mostra fácies de doença crônica e emagrecimento, embora indivíduos com bom estado geral e sem perda do apetite também possam ter TB pulmonar.

Tuberculose miliar
Brasil (2019, p. 48).

A TB miliar refere-se a um aspecto radiológico pulmonar específico, que pode ocorrer tanto na forma primária quanto na forma secundária da TB. É uma forma grave da doença, que é mais comum em pacientes imunocomprometidos, como pessoas infectadas com HIV em fase avançada de imunossupressão. A apresentação clínica pode ser aguda ou subaguda, com maior frequência em crianças e em adultos jovens. De uma forma mais incomum, a TB miliar apresenta-se como doença crônica (idosos) ou mesmo febre de origem obscura. Os sintomas como febre, astenia, emagrecimento e tosse ocorrem em 80% dos casos.

Conforme dito anteriormente, somente são transmissíveis as apresentações pulmonares e a laríngea:

Brasil (2019, p.47).

A tuberculose (TB) pode acometer uma série de órgãos e/ou sistemas. A apresentação da TB na forma pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é essa forma, especialmente a bacilífera, a responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença.

PRINCIPAIS SINTOMAS
Brasil (2019, p. 48).

Os sinais, sintomas e as manifestações radiológicas dependem do tipo de apresentação da TB. [...] as principais formas de apresentação são a forma primária, a pós-primária (ou secundária) e a miliar. Os sintomas clássicos, como tosse persistente seca ou produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento, podem ocorrer em qualquer das três apresentações.

Figura 8 – Sintomas clássicos da tuberculose
Fonte: Sobre... (2016).

Tuberculose extrapulmonar

Brasil (2019, p. 48).

As apresentações extrapulmonares da TB têm seus sinais e sintomas dependentes dos órgãos ou sistemas acometidos. Sua ocorrência aumenta em pacientes coinfectados pelo HIV, especialmente entre aqueles com imunocomprometimento grave.

Tuberculose pleural
Brasil (2019, p. 49).

É a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas não infectadas pelo HIV. Ocorre mais em jovens e cursa com dor torácica do tipo pleurítica. A tríade astenia, emagrecimento e anorexia ocorre em 70% dos pacientes, e febre com tosse seca, em 60% [...]. Nos pacientes com maior tempo de evolução dos sintomas pode ocorrer dispneia. O líquido pleural tem características de exsudato, predomínio de linfócitos e baixo rendimento tanto da pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) (<5%) quanto da cultura (<15%).

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Tuberculose ganglionar periférica
Brasil (2019, p. 49).

É a forma mais frequente de TB extrapulmonar em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e em crianças, sendo mais comum abaixo dos 40 anos. Cursa com aumento subagudo, indolor e assimétrico das cadeias ganglionares cervicais anterior e posterior, além da supraclavicular. Em PVHIV, o acometimento ganglionar tende a ser bilateral, associado com maior comprometimento do estado geral. [...] O diagnóstico é obtido por meio de aspirado por agulha e/ou ressecção ganglionar, para realização de exames bacteriológicos e histopatológicos. A biopsia de gânglio pode cursar com fístula no pós-operatório.

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Tuberculose meningoencefálica
Brasil (2019, p. 49-50).

É responsável por 3% dos casos de TB em pacientes não infectados pelo HIV e por até 10% em PVHIV. A meningite basal exsudativa é a apresentação clínica mais comum e é mais frequente em crianças abaixo dos seis anos de idade. Clinicamente, pode ser subaguda ou crônica (sinais e sintomas com duração superior a quatro semanas). Na forma subaguda, cursa com cefaleia holocraniana, irritabilidade, alterações de comportamento, sonolência, anorexia, vômitos e dor abdominal associados à febre, fotofobia e rigidez de nuca por tempo superior a duas semanas. Eventualmente, apresenta sinais focais relacionados a síndromes isquêmicas locais ou ao envolvimento de pares cranianos (pares II, III, IV, VI e VII), podendo-se evidenciar sinais de hipertensão intracraniana. Na forma crônica, o paciente evolui várias semanas com cefaleia, até que o acometimento de pares cranianos faz o médico suspeitar de meningite crônica. Ocorre doença pulmonar concomitante em até 59% dos casos. Outra forma de TB do sistema nervoso central é a forma localizada (tuberculomas). Nessa apresentação, o quadro clínico é o de um processo expansivo intracraniano de crescimento lento, com sinais e sintomas de hipertensão intracraniana, sendo que a febre pode não estar presente.

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Tuberculose pericárdica
Brasil (2019, p. 50).

Tem apresentação clínica subaguda e geralmente não se associa à TB pulmonar, embora possa ocorrer simultaneamente com a TB pleural. Os principais sintomas são dor torácica, tosse seca e dispneia. Muitas vezes, a dor não se manifesta como a dor pericárdica clássica. Pode haver febre, emagrecimento, astenia, tontura, edema de membros inferiores, dor no hipocôndrio direito (congestão hepática) e aumento do volume abdominal (ascite). Porém, raramente a TB pericárdica evolui com sinais clínicos de tamponamento cardíaco.

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Tuberculose óssea
Brasil (2019, p. 50).

É mais comum em crianças (10% a 20% das lesões extrapulmonares na infância) ou em pessoas entre a quarta e a quinta décadas de vida. Atinge mais a coluna vertebral e as articulações coxofemoral e do joelho, embora possa ocorrer em outros locais. A TB de coluna (mal de Pott) é responsável por cerca de 1% de todos os casos de TB e até 50% de todos os casos de TB óssea. Ela afeta mais comumente a coluna torácica baixa e a lombar e seu quadro clínico apresenta-se com a tríade dor lombar, dor à palpação local e sudorese noturna.

Atividade de estudo

Após compreender as formas clínicas da tuberculose, a transmissão e os principais sintomas, teste seus conhecimentos a respeito da TB pulmonar e faça a correspondência entre as colunas abaixo.

(1) Tuberculose primária 
(2) Tuberculose secundária 
(3) Tuberculose miliar
Forma grave da tuberculose que é mais comum em pacientes imunocomprometidos.
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Ocorre logo após a infecção, é uma forma grave, porém com baixo poder de transmissibilidade. Em 80% dos casos acomete o pulmão, e é frequente a presença de cavidade na radiografia de tórax.
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Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum no adolescente e no adulto jovem. Tem como características principais a tosse seca ou produtiva e emagrecimento.
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