Esta unidade busca oferecer uma visão da gestão de recursos em saúde com foco nas operações da organização.
Para tanto, partimos de nossa experiência do dia a dia em vários níveis de gestão das organizações de saúde e selecionamos aspectos que consideramos os mais importantes. Aliamos a isso alguns conceitos retirados da administração, da economia, da engenharia de produção e da saúde pública, entre outras, para oferecer uma primeira visão da gerência de recursos e operações em saúde.
Médica pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em saúde pública na área de planejamento e gestão pela ENSP/Fiocruz. Doutora em saúde pública pela ENSP/Fiocruz. Especialista em recursos humanos para a saúde pela ENSP/FIocruz. Especialista em gestão hospitalar pela ENSP/Fiocruz. Médica da Coordenadoria de Tecnologia em Saúde (Cetec) da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Economista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mestre – Master of Philosophy, M.Phil – em planejamento urbano pela Universidade de Sheffield, Grã Bretanha, e pelo CNAA – Council of National Academic Awards, UK. Coordenadora do Núcleo de Tecnologia e Logística em Saúde da ENSP/ Fiocruz. Professora de gestão hospitalar da ENSP/ Fiocruz.
Peter Drucker, um dos maiores estudiosos da moderna administração, considerava a gestão de organizações de saúde como a mais complexa entre todas as gestões, superior até mesmo ao gerenciamento de organizações como aeroportos.
Muito provavelmente, Drucker estava se referindo à gestão das operações dos serviços de saúde.
A operação de serviços de saúde tende a se tornar cada vez mais complexa: não só em função da diversidade de tipos de unidades produtivas, de produtos e de processos, como também da variedade das formas de organização que essas prestadoras de serviços de saúde assumem, e das relações existentes entre elas.
As organizações de saúde – até há pouco tempo representadas quase que exclusivamente pelo hospital e por clínicas e consultórios – hoje assumem formatos organizacionais cada vez mais diversos, desde empresas de atenção domiciliar aos centros diagnósticos, passando por organizações como “Médicos sem Fronteiras” chegando até a Pastoral da Saúde.




As gerências de recursos e operações na saúde definem as formas como se organiza e apóia a produção de bens e serviços – o chamado processo produtivo – mediante a disponibilidade articulada dos recursos necessários para executar as atividades assistenciais, que geram os produtos finais – os bens e serviços de atenção à saúde.
Em 2005, o então ministro da saúde indicava que a má gestão das operações, e não somente a falta de recursos, afeta a qualidade dos serviços de saúde, estando ambas relacionadas. A crise da gestão está vinculada à gerência de operações – filas, gargalos – e às gerências de recursos – humanos, financeiros, de materiais e equipamentos (GAZETA MERCANTIL, 2005).
Na mídia, esse é o enfoque predominante. A população e os profissionais de saúde reclamam da falta de medicamentos, da carência de recursos humanos, da má conservação dos prédios e instalações, das UTIs sempre superlotadas.
De acordo com a pesquisa intitulada Confiabilidade Global, divulgada pelo Instituto Ipsos – que ouviu cerca de 21 mil pessoas –, os profissionais mais confiáveis, segundo a percepção dos brasileiros, são os professores e os cientistas.
O estudo revelou que, no Brasil, 64% dos entrevistados consideraram os professores os mais confiáveis. Em seguida, estão os cientistas (61%) e os médicos (59%). Esses números acompanham a tendência mundial no que se refere às três profissões mais citadas, a diferença está no primeiro e terceiro lugares, que aqui aparecem invertidos: a média global das respostas indica que os médicos são considerados mais confiáveis, enquanto os professores aparecem na terceira colocação.
No outro extremo estão os grupos menos confiáveis, que, considerando as respostas de todos os países participantes da pesquisa, são compostos por políticos em geral, ministros de governo, banqueiros e executivos de publicidade. No Brasil, apenas 9%, 13%, 14% e 18% dos entrevistados, respectivamente, expressaram confiança nessas profissões.
O pesquisador da Ipsos Mike Clemence observou que, mesmo com o fim da pandemia, a confiança nas profissões parece permanecer inalterada. Políticos continuam sendo uma das profissões menos confiáveis. De modo geral, apenas um pouco mais de 10% dos entrevistados confiam nos políticos, e essa porcentagem é ainda menor em grande parte da América Latina, na Hungria, Polônia e Espanha.


As queixas da população dificilmente estão relacionadas à competência técnica dos profissionais de saúde. Compare a notícia de 2005 do Jornal Gazeta Mercantil, que destacamos anteriormente, com os resultados da pesquisa do Instituto Ipsos sobre a confiança dos brasileiros nas profissões.
Com base nesses dados, podemos concluir que a população confia no trabalho dos médicos?
Isso significa que a população confia também na operação dos serviços de saúde?
O que você acha? Pense um pouco nisso antes de prosseguir. Recomendamos que você registre as suas ideias a esse respeito e salve de uma maneira que possa consultá-las posteriormente.
Aparentemente, pode-se deduzir que, apesar dos problemas na operação dos serviços de saúde, a população confia nos médicos.

Neste sentido, a crise percebida na saúde pela população é, em parte, também uma crise operacional e de recursos.

As atividades das gerências de recursos e operações são, portanto, fundamentais para o bom desempenho das organizações de saúde, independentemente de seu nível de complexidade e de sua natureza jurídica.
Isto significa que tanto o cumprimento da missão das organizações quanto a sobrevivência das empresas dependem do uso racional de seus recursos e do desenvolvimento eficiente, oportuno e econômico de suas operações.
O pressuposto é que estudar a gestão de recursos em serviços de saúde só faz sentido se o foco do estudo for a operação dos serviços. E estamos aqui falando de uma concepção muito abrangente de “serviço”, que inclui desde a ação educativa até o transplante hepático.
Esta unidade destaca os pontos cruciais para a compreensão desse aspecto fundamental da gestão. Busca despertar o seu interesse pelas operações de serviços de saúde e levar você a construir uma abordagem inovadora e crítica do papel dos recursos e operações para a gestão efetiva.
Acreditando na máxima de que é importante “pensar globalmente para agir localmente”, não hesitamos em fornecer exemplos de várias partes do mundo, do Brasil, e dos setores público, privado e filantrópico.
Esta unidade está organizada em dois módulos:
O Módulo 1 fornece uma visão geral sobre os papéis das gerências de recursos e operações, e discute dois conceitos importantes em operações – gerenciamento da capacidade instalada e das filas.
Os Módulos 2 e 3 discutem as gerências de recursos, enfocando recursos financeiros e orçamentários, e a gestão da logística de materiais, das instalações e equipamentos. São discutidas tanto as dinâmicas internas de cada uma dessas gerências quanto a relação de cada uma delas com as operações da organização.
As atividades de final de módulo têm como objetivo gerar reflexões críticas e desenvolver competências operacionais, de modo que você, a partir da percepção global do que são as operações em serviço, tenha também a oportunidade de exercitar o “saber fazer”.
O ideal é que você comece pelo Módulo 1, e, depois, siga para os outros dois módulos. Os Módulos 2 e 3, no entanto, podem ser estudados na sequência em que a maioria dos alunos da turma preferir. Aguarde orientações do tutor a esse respeito.
Você pode passar para o Módulo 1. Introdução às gerências de operações e recursos.