Tipos de desastres (intensivos e extensivos), classificação das ameaças segundo a EIRD e maior ocorrência no Brasil
A barragem de rejeitos, apresentada no cenário, foi a ameaça tecnológica que, ao se romper, desencadeou um desastre intensivo. Desastres de origem tecnológica como esse se caracterizam pelos riscos intrínsecos a uma tecnologia; são eventos com potencial para liberar no meio ambiente materiais perigosos (químicos, radioativos, nucleares, entre outros), causando alterações ecológicas e contaminações, que resultam em danos ambientais, óbitos e doenças.
A depender da magnitude e intensidade do evento, seus efeitos podem atingir milhões de pessoas, ampliando-se no espaço (para além da fonte do evento) e no tempo (de dias a décadas), além de interromper a atividade social e econômica nos territórios atingidos. Rompimento de barragens, explosões em complexos petroquímicos e acidentes em usinas nucleares são exemplos de desastres de origem tecnológica.
No Brasil, os desastres não se limitam a ameaças tecnológicas; todas as regiões do país também estão sujeitas a uma série de eventos de origem natural, como apresentamos no mapa a seguir.
Mapa 1 – Desastres naturais mais comuns em cada região do Brasil
Fonte. Reproduzido de Freitas e Rocha (2014).
Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, ouça o áudio Perspectiva multirriscos para desastres e emergências em saúde pública, do pesquisador Carlos Machado.
A abordagem multirriscos ou multiameaças/multiperigos parte do princípio de que embora muitas das emergências em saúde pública, ou mesmo desastres, ainda que guardem características que lhe são únicas, específicas, elas compartilham elementos comuns (uma emergência por Ebola é distinta de uma por Febre Amarela; o rompimento de uma barragem é distinto de uma inundação ou deslizamento); esses eventos, é claro, possuem características muito próprias, mas, ao mesmo tempo, elementos comuns. A começar pelo fato de que a mesma secretaria ou ministério que esteve envolvido em uma epidemia por Febre Amarela poderá vivenciar crises hídricas, inundações, rompimento de barragens ou mesmo deslizamentos múltiplos. Os impactos, ainda que alguns possam ser específicos do evento, outros são comuns e compartilhados com outros tipos de eventos. E, por fim, como já vimos, em muitas situações podemos ter a sobreposição de eventos, como desastres, de origem natural ou tecnológica, seguidos de epidemias.
A abordagem multirriscos significa:
1) reconhecer que a organização e gestão para riscos de emergências ou desastres isolados é ineficiente, necessitando-se de uma abordagem integrada;
2) reconhecer a necessidade de que as organizações, com suas unidades, divisões, departamentos e setores devem possuir cada vez mais uma boa estrutura comum de ações, mas também a capacidade adaptativa para as mudanças qualitativas e de rotina necessárias quando em situações de emergências e desastres.
Fatores de risco de emergências e desastres
Como observado no título do relatório do Banco Mundial de 2010, Natural Hazards, UnNatural Disasters, se eventos geológicos, como terremotos, e hidrológicos, como chuvas fortes, podem ser considerados ameaças naturais, os desastres não o são. Na verdade, são produzidos socialmente, e a vulnerabilidade das sociedades ou comunidades encontra-se estreita e inversamente relacionada ao nível de desenvolvimento econômico e social.
Os processos sociais que resultam na maior ou menor vulnerabilidade aos desastres nas sociedades ou comunidades envolvem forças motrizes e pressões que se relacionam aos modelos de desenvolvimento econômico e social predominantes.
Forças motrizes são fatores que, em escala macro, influenciam os vários processos ambientais que poderão afetar a saúde humana, como, por exemplo, o crescimento econômico da região. Elas tendem a intensificar as pressões.
Pressões resultam tanto das diversas atividades econômicas como do crescimento populacional e formas de uso e ocupação do solo. Exemplo: alterações ambientais provocadas pela mineração.
As forças motrizes e pressões integram os processos de determinação social e ambiental que resultam na vulnerabilidade socioambiental.
Assista ao vídeo Os segredos da lama: documentário Mariana sobre o desastre de Mariana.
Referências
FREITAS, C.M.D; ROCHA, V. Agentes locais em desastres naturais: defesa civil e saúde na redução de riscos. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2014.
BANCO MUNDIAL. Natural Hazards, Unnatural Disasters: the economics of effective prevention. Washington, D.C. 2010.Disponível em: http://goo.gl/VJFjWd. Acesso em: jan. 2020.
DELNERI, F. et al. Os segredos da lama: documentário mariana. [s.l.], 2016. 1 vídeo (9:15 min.). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=LveHtdeWS1Q. Acesso em: jan. 2020.